Formando leitores desde o berço

O primeiro contato com a literatura deve se dar ainda no útero, e ler para um bebê no berço, mesmo que ele nem saiba falar, traz acolhimento, afeto e calor humano. Essas duas máximas foram defendidas por Ninfa Parreiras, professora de Letras, escritora e psicóloga, durante palestra proferida na manhã de ontem, derradeiro dia do Seminário Potiguar Prazer em Ler que chegou em sua 8ª edição este ano e reuniu educadores de todo o Rio Grande do Norte durante os dias 25 e 26 de agosto no Hotel Praiamar, em Ponta Negra, para tratar de ações de incentivo à leitura.

Ninfa Parreiras, escritora e professora / Argemiro Lima
Ninfa Parreiras, escritora e professora / Argemiro Lima

Mineira radicada no Rio de Janeiro, Ninfa Parreiras já publicou quase uma dezena de livros de contos e poesia (prosa e versos) para crianças de 0 a 14 anos, e títulos ensaísticos para adultos onde destaca a importância do contato precoce com o mundo das letras. Sua publicação “Do ventre ao colo, do som à literatura – Livros para bebês e crianças”, serviu de mote para conduzir o debate em Natal. “Neste livro falo da necessidade de semear a literatura já nos primeiros anos de vida”, disse Ninfa por telefone ao VIVER.

Autora de “Com a maré e o sonho”; “A velha dos cocos”; “Um mar de gente”; “Coisas que chegam, coisas que partem”; “Um teto de céu” e “O morro encantado”, Ninfa Parreira é Mestre em Literatura Comparada pela USP, onde defendeu a dissertação “A Psicanálise do Brinquedo na Literatura para Crianças”, e faz parte do grupo de estudiosos da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

Qual a influência da leitura para um bebê que ainda está aprendendo a falar?
A leitura traz acolhimento, calor humano, e quando ele escuta, mesmo que não entenda o significado das palavras, o bebê entende como um momento de afeto e presença.

Então posso ler uma tese de Física Quântica que o bebê vai prestar atenção da mesma maneira do que se fosse uma historinha infantil?
É por aí. Enquanto a criança não entende, o importante é a sonoridade, o ritmo, a forma de olhar e tomar o bebê no colo, o tom e a serenidade da voz. São partes de um conjunto de técnicas que despertam a atenção de futuros leitores. As famílias acham que os bebês não entendem nada, mas pesquisas registram que bebês hospitalizados reagem melhor quando incluem a leitura no tratamento.

E como incentivar a leitura extracurricular?
Essa é uma questão importante: geralmente a leitura entra na vida das crianças através da escola, do uso temático e didático, mas não há o entendimento de ler pelo simples prazer da leitura. Para isso é importante a adoção, por exemplo, de cantigas na formação dessa criança leitora. A dimensão continental do Brasil dificulta a distribuição de livros, por isso é fundamental que as cidades tenham bibliotecas públicas para incentivar e tornar o livro mais acessível como objeto cultural.

Fonte: Tribuna do Norte

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