Ler: um hábito ou um vício?

Até que ponto o gosto pela leitura pode ser considerado um hábito saudável e que deve ser mantido? Quando essa prática pode se tornar um vício? Existe algum mecanismo que possa ser utilizado para que possamos chegar a um veredito?
Até que ponto o gosto pela leitura pode ser considerado um hábito saudável e que deve ser mantido? Quando essa prática pode se tornar um vício? Existe algum mecanismo que possa ser utilizado para que possamos chegar a um veredito?

Todos sabemos que a leitura agrega conhecimento, melhora o vocabulário, ajuda a manter a mente sempre em ação, leva o leitor a passear por lugares ainda não conhecidos, estimula a criatividade e insere o cidadão no mundo globalizado. Mas como algo que traz tantos benefícios pode ser considerado um vício?

Como toda a ação tem a sua reação, a prática excessiva da leitura pode sim levar o leitor a um mundo particular, desvinculando-o do convívio com a sociedade. Quando o cidadão passa a não mais participar da vida ‘fora’ do livro ele passa a sofrer as consequências da vida solitária. Não basta viajar nas páginas dos livros, temos que respirar o ar que existe além da obra.

O hábito da leitura passa a ter ares de vício quando a pessoa transfere a sua vida para a leitura apenas. Não sai mais com amigos, não conversa com a família, não vê diversão senão através da alegria vivida pelas personagens. O vício é algo que não faz bem a ninguém, nem ao usuário do livro e nem aos quem convivem com um leitor compulsivo.

Para esse leitor compulsivo a verdade e a vida estão apenas nas palavras ditas pelo escritor e suas personagens. Qualquer pessoa real que venha a discordar de algum personagem ou autor passa a ser seu inimigo. Eis um dos malefícios do vício em ler: não enxergar veracidade além da obra ou de seu autor preferido.

Autores erram. São humanos. Mas o leitor viciado em apenas acreditar sem questionar não percebe isso e fica indignado quando um amigo contradiz o que o seu escritor escreveu.

Dessa forma, o leitor viciado não aceita palpites, não aceita convites para saídas, pois vê na leitura a única saída para a sua salvação. Perde, aos poucos, amizades, colegas e a sua própria vida. Vira um zumbi letrado. E nada é mais chato do que conviver com um leitor viciado que não tem assunto além das páginas de um livro. Assim sendo, há uma grande diferença entre o vício e o hábito de ler. Quem tem o hábito tem tudo! Além de todos os benefícios anteriormente citados, tem a vantagem de viver por si só.

Fonte: Homo Literatus

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